LINHA DIRETA


UMA DANÇA MUNDIAL
Unificação dos comandos para as rodas de cassino. Esta foi a questão lançada por Flávio Miguel na coluna Dança a 2 FM, no número 42 e esta preocupação não é exclusividade nossa. René Zambrana, um brasileiro que dá aulas de salsa em Hamburgo nos conta, por e-mail, sobre as "ruedas" alemãs:
Eu estava "surfando" na Internet, quando encontrei a página do jornal DAA. Quanto à problemática dos diferentes estilos de Salsa e de comandos na Rueda de Casino, posso dizer que aqui na Alemanha não é diferente. Eu sou brasileiro, de São Paulo, e moro em Hamburgo a pouco mais de dez anos. Danço salsa já faz oito anos e a mais ou menos um ano comecei a dar aula, com ênfase em "Rueda de Casino". Os estilos que predominam aqui são o cubano e o New York/Puerto Rico. Quanto à Rueda, a diversidade é muito grande. Depois de filmes como "Dance with me" com Vanessa Williams e do filme francês "Salsa & Amor", a Rueda de Casino se tornou mais conhecida e muita gente quer aprender.
Acontece que em cada lugar se ensina de uma maneira. Mas esse problema já vem desde Cuba. Mesmo lá, dependendo da cidade ou até do bairro onde se está, existe diferença nos comandos. Há vários cubanos vivendo na Alemanha e a diferença as vezes é alarmante. A primeira vez que tive contato com Rueda de Casino foi através de Juan "Petit" Ortiz, cubano e um dos mais conhecidos professores de dança aqui em Hamburgo. Ótimo bailarino sem dúvida, mas como vive já faz mais de 20 anos na Alemanha, ensina uma Rueda que não se dança mais. Na sua Rueda, por exemplo, não existe o "dile que no".
É impossível reter o desenvolvimento da Rueda de Casino. É como uma língua que se desenvolve de maneira diferente, nos vários lugares onde é falada. Como o português do Brasil e de Portugal ou o alemão da Alemanha, Áustria e Suíça. Até para figuras simples já existem diferentes comandos, como "adiós" ou "la prima". Eu tento, na minha aula, explicar as diferenças existentes (pelos menos as que eu conheço). O fato de eu falar também espanhol ajuda (meu pai é boliviano). Assim eu posso explicar porque às vezes se escuta "enchufla" ou "enchufa" ou ainda "enchufe".
Aqui na Europa existem vários grupos profissionais de Rueda de Casino e realizam-se muitas competições. Esse grupos possuem figuras próprias, às vezes bem complexas. Mas eu gostaria que qualquer um, independentemente de onde venha, possa ser capaz de dançar rueda com outras pessoas. A dança une as pessoas e destrói barreiras culturais e sociais.
Eu, da minha parte, apesar de já professor, não quero parar de aprender, e no final do mês, vou me tornar de novo aluno, no Festival de Salsa de Berlim, onde terei aula de Rueda com o cubano Manuel Copello (http://www.salsa-coneccion-cuba.de). Quanto mais eu souber, mais eu poderei passar aos meu alunos, para que eles possam dançar Rueda em toda parte que estiverem e não só aqui em Hamburgo.
Provavelmente no começo do ano que vem estarei visitando meus pais no Brasil e gostaria de, pela primeira vez, dançar salsa no Brasil. Quem sabe até Rueda de Casino?
Um grande abraço,
René Zambrana

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