Um pouco de história - Rachel Mesquita
( por Rachel Mesquita, keka.m@terra.com.br)
Maria Antonieta, 74 anos, conhecida como a primeira dama dos salões brasileiros, numa entrevista conta-me alguns momentos da dança de salão no Brasil, e por conseqüência, alguns de seus rumos. Associada as minhas pesquisas pude ampliar estas informações e retratar parcialmente, neste artigo, o surgimento da dança de salão no Brasil.
No Rio de Janeiro, em 1870, D. Pedro II , então imperador, busca na Europa profissionais da dança de salão para dar aulas à elite imperial. As quadrilhas, minuetos, marzucas, xotes, polcas e outras danças clássicas encantavam os europeus. Sendo ele um admirador desta arte, importa-a e favorece esta prática à sua corte. Desenvolveu-se de tal forma que passou tomar dimensão de lazer como também passou a ser um dos indicadores para uma boa educação. Saber dançar passou assim, ser um dote.
As outras camadas sociais mais pobres já dançavam mas não há nenhum registro oficial.
Com o surgimento dos bondes no Rio de Janeiro a vida na cidade muda muito .A facilidade de deslocamento passa a favorecer encontros, as notícias se espalham com mais velocidade, cria-se ,de alguma forma , mais independência, as pessoas passam a conhecer melhor diferentes lugares dentre tantos outros alcances. Assim, as trocas de informações sobre a dança de salão se alastraram. Ela pulou os muros da corte e se proliferou em diferentes lugares.
As adaptações foram inevitáveis. Afinal não haviam professores e as informações distanciadas de referências visuais se construíram a partir das diferentes interpretações de quem as ouviam. Associada as gaiatices do espírito dos portugueses e a ritmicidade dos africanos; a dança de salão começa a criar um novo estilo de dançar a dois. Difere-se da dança da corte e se populariza.
No entanto, o corpo junto a outro corpo, distante do contrato matrimonial, era visto pela igreja católica como pecado. Isto dificultou as aproximações corporais sem sentimento de culpa e assim, ela controlava o desenvolvimento da dança porque também controlava a vida de seus fiéis
.O dançar a dois favorecia prazeres e o desejo desta prática passou a ficar aguçada. Ela passou a ser aceita como normal para alguns e rejeitada pela maioria conservadora.. Dependendo de como se dançava , do tipo de dança e onde se dançava, classificavam-se os locais da dança e seus freqüentadores. Muitas discriminações.
O tempo passou e não tardou o surgimento das academias. A primeira registrada é da família Moraes. O professor, um português, aprendeu a dançar com um americano. Maria Antonieta aprendeu com os Irmão Moraes.
Foram os americanos os grandes divulgadores da dança de salão. Depois da II guerra mundial o cinema americano põe em cena dançarinos. Valoriza-os e eles conquistam um grande público. Paralelamente, embalada por grandes orquestras, como a de Glen Müller, a dança de salão se fortalece no mundo e ganha maior aprovação no Brasil.
Depois contamos mais
Observação: O artigo fica devendo aos leitores um maior aprofundamento das questões levantadas mas o espaço para publicação é pequeno.
Sem demagogia agradeço à revista por ele existir.