Blog - Marco Antonio Perna - Agenda da Dança de Salão Brasileira
Blog - Marco Antonio Perna
Agenda da Dança de Salão Brasileira
Livro "ORQUESTRA TABAJARA" - Carlos Coraucci - ISBN: 9788504015997
Rio de Janeiro, 14/12/2009
Em meu livro "Samba de Gafieira - a história da dança de salão brasileira", dedico duas páginas a essa grande orquestra.
Agora em 2009 fomos brindados com um livro inteiro de 336 páginas sobre ela. Não deixem de ler.
Resenha (da capa do livro)
Criada em 1933, a Tabajara é a mais famosa orquestra popular brasileira, a mais longeva e um dos mais férteis celeiros de grandes
instrumentistas do país. Inspirada nas big bands americanas, foi decisiva para a modernização da música brasileira. Em A Orquestra
Tabajara de Severino Araújo - a vida musical da eterna big band brasileira (Companhia Editora Nacional), o autor Carlos Coraúcci
narra a irresistível história, humana e musical, desses grandes craques da música, coroada pelo sucesso de crítica, reconhecimento
de seus pares e, fundamentalmente, pelo sucesso de público.
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Marco Antonio Perna
A Arte da Dança de Salão em Barro
Rio de Janeiro, 05/10/2009
Prezados
Quem possui meu livro ou já teve paciência de fuçar o dancadesalao.com todo, já deve ter notado que gosto de arte e especialmente de
caricaturas e temas de dança. Vou iniciar com este texto uma série voltada a dança de salão retratada nas diversas manifestações de arte.
Como estréia resolvi colocar algumas imagens de estatuetas/esculturas de barro, bem ao estilo de nosso Nordeste, já que
a maneira mais simples de se fazer imagens é a utilização do barro.
A propósito, na verdade uma estatueta de barro não é uma escultura e sim uma modelagem, embora seja uso comum e normal o termo
escultura. O ato de esculpir é a retirada de pedaços de
determinado material e não é possível recolocar algo retirado. Na modelagem o artista molda, tira e põe o material da maneira que
achar melhor. E no caso das estatuetas de barro, elas já são o produto inicial da modelagem e o final ao mesmo tempo. Pois o único processo
normal pelo qual elas passam é o forno.
A primeira estatueta é de Plinio de Moura e tem 17 cm de altura. Reparem que ele retrata um casal dançando algo lento, sem a postura de
braço de dança de salão.
A segunda estatueta é do artista nordestino Amaro Rudrigues e tem 12,5 cm de altura, 5 cm de largura e peso de 400g. Vocês podem notar na
imagem um erro comum dos artistas que é a inversão da posição dos braços e mãos dos dançarinos em relação ao normal da dança de salão.
A terceira estatueta eu comprei numa loja de presentes em Laranjeiras no Rio de Janeiro e tem 5,5 cm de altura. Desse tipo existem muitas
sendo vendidas pelo Brasil afora em formato até de jogo de xadrez nordestino. Também ocorre inversão da postura de braços e mãos.
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Marco Antonio Perna
Falecimento: Maria Antonietta Guaycurus de Souza - 15/05/1927 - 07/04/2009
Rio de Janeiro, 07/04/2009
Prezados
É com grande pesar que comunico o falecimento de Maria Antonietta Guaycurus de Souza, dia 07/04/2009 na parte da manhã, aos
82 anos incompletos, de infarto.
Velório na Estudantina no mesmo dia às 17h, Rio de Janeiro - RJ. Enterro às 10h do dia 08/04/2009 no cemitério do Catumbi.
A missa pela Maria Antonietta será segunda feira próxima (13/04/2009) às 18 horas na Igreja de Santo Antonio (Rua dos Inválidos),
Rio de Janeiro - RJ.
Início de 2009, acordo e digo para mim mesmo: "Esse mês sai as entrevistas de vídeo para meu site que faz tempo quero fazer". Escolho Antonietta
e em seguida Carlinhos de Jesus, e tinha (e tenho) a intenção de entrevistar várias outras personalidades da Dança de Salão. Idéia antiga,
desde que entrevistei Trajano para meu livro e pouco tempo depois ele morreu. A sensação que tive foi de não ter prestado a real homenagem
à ele e à Dança de Salão, pois não gravei nem áudio e nem vídeo. A partir de então decidi realizar entrevistas em vídeo
para documentação da história da Dança de Salão.
Devo admitir que minha primeira entrevista foi pensada devido a idade da Antonietta. Não vou fazer de conta que não pensei
que ela
poderia morrer, afinal ela já tinha 81 anos e vários problemas de saúde, inclusive os problemas cardíacos que culminaram no infarto.
Mas não esperava que fosse acontecer três meses depois da entrevista. Minha mãe morreu em novembro de 2007 e desde então tenho
"arrumado a casa" para evitar surpresas, daí a vontade de registrar a história sem deixar para depois.
Infelizmente essa preocupação deu certo logo de cara com a mestra. Segundo a família dela, tinha um mês que Antonietta não estava nada
bem do coração (problema que já existia tinha um bom tempo) e uma semana antes do infarto fatal ela foi internada no Hospital
Souza Aguiar, com muito bom atendimento, relataram. Mas na última semana já não existia esperança. Mesmo com os problemas de saúde a
mestra não deixava de ir na Estudantina, cerca de um mês antes ainda ia. Os filhos tentavam convence-la a se cuidar, em ter
assistência e diminuir os bailes, mas Antonietta era teimosa, não vivia sem dança. Nessas horas o dilema entre deixá-la feliz indo
aos bailes ou em casa se tratando triste é bem complicado. Mas talvez compense mais a felicidade.
Com relação a entrevista, por sorte, uma profissional de TV canadense, que tinha adquirido meu livro, contactou-me e fiquei de
apresenta-la às personalidades da
Dança de Salão carioca para um documentário sobre Samba de Gafieira que ela estava começando a realizar. Ela decidiu gravar logo algumas
entrevistas mesmo antes de começar a fase de filmagens, pois apesar de ainda estar na fase de captação de recursos não se poderia perder a
oportunidade estando no Rio. Fomos então no apartamento de Antonietta onde a mestra estava bem aparentemente (haviam me dito que a saúde já
estava bem ruim), elétrica como sempre. Até pensei que novamente era um alarme falso e para nossa felicidade ela ainda ia dançar muito.
Ela deu um depoimento aberto, sem pudores, durante cerca de uma hora.
Falou do câncer de
anos atrás e como o venceu. Falou detalhadamente sobre o estupro que sofreu ainda moça aqui no Rio. Enfim, foi Maria Antonietta como eu
e muitos conheceram, autêntica e sem preconceitos.
Em seguida, aproveitando, fiz a minha entrevista, meio de sopetão, mas pelo menos consegui fazer, mesmo que
tenha sido bem curta.
Sinto a felicidade de te-la conhecido ainda em forma. A primeira vez que a vi ao vivo foi na Domingueira do Circo Voador em 1993 ou 1994.
Anos depois comecei a frequentar os bailes da Escola de Dança Maria Antonieta (que levava o nome dela e pagava esse uso a ela) e
Antonietta quase sempre estava lá. Em 1997 comecei a militar no meio profissional, lancei meu site
(dancadesalao.com - Agenda da Dança de Salão Brasileira) e comecei a pesquisar para meu livro. Nessa época a conheci pessoalmente
e minha maior alegria foi quando ela começou realmente a saber meu nome, alegria de tiete.
Desde então criei o site dela (www.dancadesalao.com/antonietta).
Fui várias vezes em seu apartamento pesquisar para meu livro e para o próprio site dela e ela sempre de portas abertas e
colaborativa. Homenageei-a em bailes que promovi e tive ela como professora no evento que realizei, o Salão Rio Dança, em algumas das edições realizadas.
Foi também madrinha no meu casamento realizado no próprio salão da Escola de Dança Maria Antonieta, alugado como salão de festas na ocasião.
Encerra-se um ciclo na Dança de Salão carioca. A mestra mais do que a professora de Jaime Arôxa ou Paulo Araújo, foi e sempre
será o grande símbolo da Dança de Salão do Rio de Janeiro. Pois apesar de amazonense ela chegou adolescente ao Rio e aqui aprendeu a
dar aulas de dança. Também nunca foi a grande dançarina de bailes, sempre foi a grande professora de dança de salão, ativa durante
décadas e mantendo a chama do ensino da dança acesa.
Na próxima edição do jornal Falando da Dança escreverei uma mini-biografia, chamada técnicamente de obituário,
mas prefiro chamar de mini-bio. Nessa edição teremos várias outras matérias a respeito dela, afinal, será também o mês do
aniversário da mestra.
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Marco Antonio Perna
Comentários
Que Deus ilumine e seja iluminado na presença desta grande personalidade e representação da dança, Rezamos para iluminar sua alma
e que a família tenha boas energias para essa perda insubstituível.
Annik e Léo - Belo Horizonte - - 2009/4/7
Agradeço a informação e é com muita tristeza que todos nós recebemos esse comunicado, pois a alegria e a energia da nossa grande
Mestra nos contagiava e sempre levantava o nosso astral.
Simpática, perseverante, comunicativa e sempre alegre, passava para todos que qualquer pessoa sem preocupar-se com a idade,
poderia aprender a dançar e assim, conseguiu melhorar a qualidade de vida de muitos idosos que não tinham mais perspectivas e
nem saíam de casa e, ao vê-la transmitindo tanto poder e energia, aderiram à dança de salão e fizeram um grande círculo de amizades,
saindo assim, da solidão.
E, ainda, os jovens que só dançavam outros ritmos, foram também conquistados para a dança de salão e dão um show em todos os locais por
onde passam.
Saudades, Maria Antonieta, você profissionalizou muitos dançarinos que passaram por você e hoje transmitem
essa energia para todos nós.
Que Deus esteja contigo e abençõe a todos nós.
Muito obrigada, Marco e um grande abraço,
Eliana Teixeira - 2009/4/8
O desaparecimento físico de Maria Antonieta é uma realidade dura.
Tenho certeza que no local onde esta, certamente os anjos já retiraram suas asas para ela poder abraça-los e assim poder dançar com
eles a alegria, a esperança e eternizar sua vida, sua Estudantina.
Todos ficamos um pouco mais pobres sem o seu talento, mas a lembrança e a importância do seu trabalho serão fatores de crescimento
para todos que amam a dança de salão .
Um abraço, Adalberto Petrolini Carvalho. - 2009/4/8
Morre irmã gêmea da profa. Maria Antonietta
A irmã gêmea da profa. recém falecida Maria Antonietta morreu dia 10/10/2009. Ela nao era dançarina nem professora
como a irmã, era dedicada à música. Mas era mãe de João Piccoli, professor de dança de salão em Jacarepaguá no Rio e que aprendeu tudo
o que sabe com Maria Antonietta. Segunda a família ela ficou muito abalada com a morte da irmã e em maio teve um infarto e agora um
pneumonia a qual não resistiu. Na foto do enterro de Maria Antonietta ela aparece sentada no veículo que transporta o caixão.
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Marco Antonio Perna
DS em "Caminho das Índias"
Rio de Janeiro, 20/02/2009
Admito, vejo novela, não vejo nenhum mal nisso. Quando fazia aula de dança
eu não tinha tempo, logo quem faz aula de dança não deve conseguir assistir.
Particularmente odeio as novelas da Glória Perez. Nada pessoal, ainda mais
que ela e a saudosa Daniela eram frequentadoras da Estudantina e a Glória
sempre prestigia nossa dança de salão colocando-a nas novelas, inclusive com
filmagens na Estudantina e a presença de profissionais de peso. Mas a Glória
como escritora é a que mais se aproxima dos novelões mexicanos. Nada se
resolve antes do último capítulo. Os protagonistas sempre estão prestes a
resolver tudo no final de cada capítulo mas no capítulo seguinte volta tudo
à estaca zero. Enfim... E nessa novela "Caminho das Índias", eu que tinha
admiração por muita coisa das Índias, estou começando a achar esse povinho
desprezível....
Bom, o motivo desse texto é comentar a interessantíssina situação que a
Glória colocou o personagem do Stênio Garcia na gafieira. Ele é um
psiquiatra renomado, mas quando entra na gafieira Estudantina é apenas mais
um, e na verdade é mais um dancarino comum, sem nada de especial. Ele se
interessa por uma garota mais jovem (aquela ex-bbb), mas se sente diminuido
porque o banbanban do pedaço (para a garota) é um garoto novo, técnico em
montagem de computador, que não consegue emprego por ser esquizofrênico (e
é paciente do psiquiatra em questão).
Ou seja, a situação demonstra como a dança de salão nivela as pessoas e como
realmente não sabemos nada da pessoa com quem dançamos, só importa o
momento e a capacidade que cada um tem de fazer esse momento ser bom. Não
importa o que a pessoa é fora da gafieira.
Isso é uma qualidade ou um defeito da Dança de Salão ??
Qualquer que seja a sua resposta, essa questão já eleva mais ainda a Glória no meu conceito de observadora/cronista da vida.
Ela que sempre chama a atenção do povo
para problemas como drogas, alcoolismo e agora doenças mentais. Mas como escritora de novela continuo achando uma droga....
DS na série Malhação da Globo
Rio de Janeiro, 20/02/2009
Hoje vi passando na série/novela "Malhação" da TV Globo, um concurso de
dança de salão. Não sei há quantos dias tem passado o tema na série, e me
lembro que já houve uma "professora" de dança de salão em temporadas
passadas. Bem, o interessante desse concurso é o lugar comum de ser coisa
de velho, com o agravante de que o casal de atores (Paulo César Grande e Louise Cardoso) "precisou" se fantasiar
de terceira idade para participar, e eles já passaram da meia-idade, nem
precisava isso. Numa série voltada para adolescentes esse tipo de mensagem
subliminar só piora o conceito que eles tem da dança de salão.
Para iniciar meu blog, publicarei além de meus textos, uma série de entrevistas com
personalidades da dança. Neste primeiro mês, vocês podem ler abaixo sobre o syllabus do samba de gafieira e mais abaixo
assistir a entrevista com Carlinhos de Jesus.
Padronizar ou Deixar Nosso Samba Morrer ?
Rio de Janeiro, 26/01/2009
Marco Antonio Perna
Em 2001 ocorreu uma reunião
com a presença dos mais renomados profissionais de dança de salão do Rio de Janeiro para a formalização de uma
padronização do Samba de Gafieira. Nessa etapa foi padronizado os
principais nomes de passos de nível básico, intermediário e avançado. Veja mais detalhes aqui.
Infelizmente, apesar do crescimento da dança de salão no Brasil nos últimos anos,
o assunto foi esquecido. Digo infelizmente porque o Brasil e a Dança de Salão perdem com isso. Se formos em qualquer cidade brasileira,
hoje em dia já se dança o samba de gafieira, mas com certeza os nomes dos passos diferem de cidade para cidade e passos tradicionais
não são ensinados.
Um syllabus (ou pelo menos a adoção de uma padronização simples) permitiria a homogeneização do
ensino e facilitaria dançarinos de academias diferentes dançarem entre si, coisa que muitas vezes se torna uma batalha entre o casal
dançante.
Diriam alguns: "mas isso impediria a criatividade e tornaria a dança uma coisa engessada...".
É um erro muito grande pensar assim pois uma padronização permitiria apenas que o ensino inicial fosse
homogêneo e preservaria os passos tradicionais (puladinho, pião, balão apagado, cruzado etc). Após o aprendizado inicial o aluno
poderia aprender qualquer "invenção" de seu professor, que ensinaria os seus próprios passos e os tradicionais mais avançados.
Não teríamos apenas esses benefícios pois facilitaríamos a exportação do nosso samba de gafieira.
Vejam o exemplo da capoeira e do tango argentino. A brasileiríssima capoeira preserva sua cultura e tem muito mais adeptos pelo mundo que
nosso samba de gafieira. O Tango argentino é ensinado e dançado pelo mundo todo e os profissionais argentinos são dos mais requisitados para
shows e workshops em todos os lugares. Na Salsa também vemos a preservação da cultura e profissionais brasileiros e
estrangeiros sempre pesquisando para estarem
sempre dentro do padrão, embora existam pelo menos dois padrões muito fortes. Outro exemplo é o swing americano, o lindy, o rock e a diversas variações,
onde profissionais do mundo todo preservam a forma de dançar. Nós aqui, vocês sabem, deturpamos e criamos o soltinho e o samba-rock.
Fizemos o mesmo que eles fizeram ao criarem o samba internacional de competição. Mas pelo menos já existem profissionais por aqui que ensinam as danças
americanas como elas são e temos a autoria dessas duas variações nacionais de dança "solta" americana.
Na nossa dança de salão nós (eu não me incluo nessa) não preservamos nossa cultura, visto
o que aconteceu com a lambada onde a maioria dos profissionais sabem que a dança atual do zouk nada mais é que uma evolução da
lambada e chegam a dizer que é uma dança francesa. Essa dança é nossa e pelo menos deve ser chamada de lambada-zouk.
Vale lembrar, principalmente aos paulistas, que o nome da dança não é "gafieira" e sim samba de gafieira
ou simplesmente samba, caso estejamos no ambiente de dança de salão. Gafieira é o local onde se dançam diversos tipos de dança e
ao usar apenas a palavra gafieira também estamos perdendo a palavra forte do marketing de nossa dança para o mundo que é "samba".
É correto chamar de samba de salão, porém "samba de salão" não é apenas o samba de gafieira mas também o samba internacional de
competição, o (samba) pagode (paulista) e outras variações que possam ter existido ou que venham a existir.
Vejam agora no vídeo abaixo a opinião de Carlinhos de Jesus.
O áudio da entrevista está com uma pequena perda de sincronia devido ao youtube não converter bem o arquivo enviado.
Entrevista com Carlinhos de Jesus sobre a padronização. PARTE 1
Aproveitando a volta do debate em torno do samba e excelentes comentários na nossa Lista de Discussão,
aproveito para comentar novamente sobre o Quadrado no Samba de Gafieira. (leiam meu livro para comentários anteriores)
Em primeiro lugar o Quadrado nunca foi o passo básico do samba de gafieira. Ele foi uma ferramenta
didática importada de danças como a valsa em vários momentos de nossa história e tem o mérito de segurar o aluno na academia por
dificultar seu aprendizado e seu crescimento na dança.
Em segundo lugar, é bom esclarecer que muita gente confunde o Quadrado com o chamado "quadrado fechado",
que nada mais é que uma variação do Passo Básico do Samba,
ou até mesmo o próprio Passo Básico na maioria dos casos e tem a forma de um retângulo com um lado bem maior. Quando alguém fala
em quadrado
logo muita gente pensa no Quadrado Fechado e sai em defesa. O único problema do Quadrado Fechado é justamente o nome, pois quadrado é
quadrado e se for fechado ou aberto deixa de ser quadrado. Seria mais correto chamar de Retângulo e não causaria confusão com o
famigerado Quadrado, mesmo porque o Passo Básico parece um retângulo com um lado bem maior, sob uma ótica, embora pareça uma linha sob outra.
O famigerado Quadrado é péssimo para o crescimento do aluno se for a primeira coisa que ele aprender e
continuar até estar dançando realmente, porque provavelmente ele nunca estará dançando realmente. Por outro lado vemos todas as "aberturas"
do Quadrado quando alguém desliza pelo salão fazendo apenas o Passo Básico. Isto é óbvio, tendo em vista que o Passo Básico é um retângulo
e na movimentação utilizamos a mesma idéia da movimentação no Quadrado. Só que não existe o bloqueio mental imposto pelo Quadrado e o
aluno flui sem traumas.
Com o Passo Básico normal o aluno é orientado a ter liberdade de direção e movimento, já no
Quadrado ele fica preso ao movimento "quadrado", e é isso que inconscientemente atrapalha o seu desenvolvimento na dança.
Só quando se liberta dessa prisão que o aluno deslancha, e aí eu pergunto: Pra quê utilizar um passo básico como o Quadrado se o
Passo Básico normal e suas pequenas variações resolvem tudo sem aprisionar o aluno ? E ainda por cima quando ele realmente estiver
dançando nunca mais vai fazer o Quadrado ? Mostrem-me um único casal (que saiba dançar) num baile no Rio fazendo o Quadrado!
Quem pensar em dizer que tem, com certeza estará pensando no Quadrado Fechado/Retângulo.
E não venham me mostrar algum dançarino profissional dançando maravilhosamente o Quadrado no salão,
de caso pensado, porque isso não demonstraria absolutamente nada, pois esse dançarino poderia estar fazendo o "cabide" ou a "panqueca"
que não iria
indicar que seriam passos que qualquer um aprenderia e ainda por cima que ficariam bonitos. Aliás, a maioria de vocês sabem que passos
correspondem aos nomes que citei ? Isso é um bom exemplo da razão de precisarmos uma padronização. Embora esses por serem passos de show
provavelmente devem ter os mesmos nomes em todos os lugares e por serem passos aéreos não poderiam estar num Syllabus, mas nada impede
de entrarem numa padronização mais simples, que é o mínimo que precisamos.
Salão Rio Dança
Rio de Janeiro, 28/01/2009
De 2003 a 2008 realizei o congresso "Salão Rio Dança"
que foi o primeiro evento do tipo no Rio de Janeiro sem ser de uma academia específica. Foram seis edições sempre em
locais diferentes,
no Olympico Club, no Clube Israelita Brasileiro (CIB) e nas academias do Carlinhos de Jesus, Jimmy, Renata Peçanha e Estação da Dança (essa
era localizada no endereço da matriz Jaime Arôxa). No Brasil, evento desse porte e nos moldes, só foi realizado anteriormente o
que deu origem ao Congresso de Salsa de
São Paulo, mas obviamente específicamente de salsa e o Baila Floripa, que não tinha workshops em sua primeira mostra.
Comunico a todos que o evento não será mais realizado pois o modelo foi muito copiado e atualmente
só as academias conseguem realizar eventos desse tipo devido a terem custos reduzidos, e, claro, os eventos que receberam apoio da maioria
dos profissionais locais, como o Baila Floripa e o Congresso de Salsa de São Paulo.
No Rio de Janeiro, infelizmente é muito difícil fazer um evento desses de forma independente.
Não temos apoio dos grandes meios de comunicação, como a TV ou jornais (fora os especializados em dança de salão).
Em cidades diferentes de Rio e São Paulo, é muito mais fácil aparecer na TV local
e com isso promover melhor algum evento. O congresso de salsa por exemplo, precisou de alguns anos de crescimento e apoio contínuo dos
profissionais para chegar na grande mídia, como a TV Globo. Se fosse numa cidade menor, desde a primeira edição apareceria na TV local.
Mas finalizo a realização do evento feliz por nunca ter deixado de pagar um professor sequer, todas as contas
do evento e de nunca ter deixado um horário do evento sem aula (mesmo que tenha ocorrido alguma falta de professor, sempre consegui remanejar
os horários e substituir as poucas faltas que ocorreram).
Como do futuro ninguém sabe, só posso afirmar que evento com esse nome e nesses moldes não
farei mais. Vejam no site do evento as reportagens, cobertura fotográfica
(falta a do último ano que não coloquei ainda) e professores que
participaram, como Maria Antonietta, Carlinhos de Jesus, Jaime Arôxa, Jimmy de Oliveira, Rachel Mesquita, entre outros.
Lembrem-se que esses textos, históricos, imagens, fotos etc, tem Direito Autoral. E como alguém tem a autoria
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